Existem algumas questões que frequentemente as pessoas nos colocam acerca dos tratamentos e/ou das consultas. Nas linhas abaixo procuramos dar resposta a algumas delas. Não hesite em nos contatar se tiver outras questões que queira esclarecer. 
Qual a diferença entre psicólogo, psicoterapeuta, psicanalista e psiquiatra?


Esta é uma dúvida frequente. O psicólogo é um licenciado em psicologia que para ser psicoterapeuta ou psicanalista deve fazer uma formação teórico-prática posterior, submetendo-se ele próprio a esse tratamento e tendo obrigatoriedade de ter o seu trabalho supervisionado por profissionais mais experientes ao longo de vários anos. O psiquiatra é licenciado em medicina, estando habilitado para a prescrição de psicofarmacos. É frequente trabalhar em articulação no tratamento do mesmo paciente, proporcionando a medicação um terreno mais estável do ponto de vista emocional para que o psicoterapeuta possa desenvolver o seu trabalho e o paciente consiga pensar nas suas dificuldades. O psiquiatra pode também ser psicoterapeuta ou psicanalista desde que se submeta a essa formação posterior.  

Preciso de psiquiatra ou de tratamento psicológico ?



Deve olhar para dentro de si próprio e tentar perceber se o que pretende é apenas um alívio dos sintomas, como ansiedade ou depressão, e nesse caso a medicação psiquiátrica pode ser resposta mais rápida e económica, mas deve ter em atenção que não está a resolver o problema, podendo este retornar ou então ficar "eternamente" dependente da medicação. Se pelo contrário pretender tratar o seu problema, gerando mudanças significativas na sua forma de estar na vida e nas suas relações, deve procurar psicoterapia ou psicanálise, dependendo do nível de aprofundamento que desejar e da problemática subjacente. São tratamentos que duram regra geral algum tempo, devendo ser encarados como um investimento a médio ou longo prazo. Existem ainda psicoterapias que podem ser de curta duração, como o EMDR, que são muito eficazes para problemas muito focalizados e de resolução mais simples, como fobias, medo de conduzir, falar em publico, entre outras.

 

Quais as razões do sofrimento psicológico ?

 

O sofrimento psicológico é qualquer coisa que se vai instalando regra geral desde muito cedo na vida, fruto de sentimentos e pensamentos que vão sendo interiorizados de não se ter sido suficientemente amado, compreendido, desejado ou respeitado nas suas necessidades básicas, de segurança, reconhecimento, entre outras. As relações que se vão estabelecendo ao longo da vida, sobretudo as mais precoces com pais, irmãos, mas também depois com amigos, companheiros vão regra geral reforçar essas ideias criando uma espécie de espiral negativa em que as pessoas se vão sentindo cada vez mais enredadas até que começam a ter sintomas, os quais se não forem tratados a tempo podem causar sérios prejuizos pessoais .

A que sintomas deverei estar atento ?

​Em primeiro lugar o facto de estar a investigar sobre o assunto parece indicar que já identificou em si que algo não está bem. Poderá ter dúvidas sobre o tipo de tratamento, se será eficaz consigo ou pensar que talvez as coisas melhorem e se resolvam por si só. Contudo a tendencia é a situação agravar-se com o tempo, com consequências e custos para a vida pessoal ou profissional por vezes irreparáveis.​ Os sintomas a que deverá estar atento, em si ou naqueles que o rodeiam são ansiedade/stress elevado e persistente, tristeza, desmotivação, falta de prazer em estar com aqueles de que gosta, tendência ao isolamento, descontrolo da  agressividade, cansaço persistente, desejo de morrer, insónia ou dormir demais, consumismo compulsivo, perda ou excesso de apetite persistente, ingestão abusiva e persistente de psicofármacos, alcool ou drogas, agravamento de doenças de pele, asma, diabetes, ulceras, gastrites, entre outras doenças correlacionadas com o sistema nervoso. Todos estes sintomas poderão ser reactivos a uma situação emocionalmente ainda não ultrapassada, por exemplo luto, separação, mudança de trabalho, ou surgir sem razão aparente, sendo nesse caso ainda mais importante procurar ajuda rapidamente.

Já procurei ajuda mas não me senti bem, porque terá sido ?

Como uma relação de ajuda não deixa de ser uma relação entre duas pessoas, as razões poderão ter que ver com a pessoa do paciente, com a pessoa do profissional ou com ambos. Do lado do paciente sabemos que muitas vezes as pessoas estão conscientes dos seus sintomas, mas não das causas, podendo não associar ou mesmo negar a influência daquilo que consideramos estar, após cuidadosa análise, na origem das suas dificuldades. Trata-se de algo frequente, pois mexer nas feridas doí e se o paciente não estiver seguro de poder suportar essa dor prefere não lhe mexer e tal pode levar ao abandono precoce do tratamento. Isto remete também para a questão da confiança. Por vezes e sobretudo quando se tem determinada história de vida não é fácil confiar nos outros. Por outro lado, também sabemos que nem sempre se produz empatia entre paciente e técnico, a qual é essencial para o sucesso do tratamento. Finalmente, temos também de ter em conta que muitas vezes os problemas são complexos e difíceis de diagnosticar, tendo implicações para o método de tratamento a utilizar.

O que acontece na primeira consulta ?

Na primeira consulta o psicólogo investiga tendo por base a descrição que o paciente faz de si próprio e da sua história. Poderá colocar questões ou simplesmente deixar o paciente falar sobre o que quiser dando-lhe assim espaço para expor e priorizar as questões que mais o preocupam e que pensa serem mais pertinentes para o problema. É suposto que nesta primeira consulta o paciente empatize com o terapeuta pois esta é a pedra angular do tratamento. Se tal não ocorrer deverá dize-lo sem receios e ambos poderão explorar a questão. No final da primeira consulta será marcada uma segunda sessão de entrevista na qual o terapeuta irá esclarecer as suas dúvidas com vista ao estabelecimento de hipoteses terapêuticas, podendo  recorrer à aplicação de testes de exame psicológico. Numa terceira consulta será dado feedback ao paciente da avaliação efectuada, combinado o tipo de tratamento e definidos os objectivos terapêuticos.

 

Qual a periodicidade e duração do tratamento ?

Quer a psicoterapia quer o acompanhamento psicológico funcionam regra geral com uma sessão por semana com a duração de 45 minutos, podendo recomendar-se 2 sessões por semana em situações agudas. A psicanálise é realizada habitualmente a 2 ou mais vezes por semana, podendo no entanto, em determinados casos e depois de avaliado, ser realizada apenas uma vez por semana. Sobre a duração do tratamento é dificil de prever pois depende de vários factores, alguns dos quais se vão definindo ao longo do tempo, como é o caso da forma como o paciente vai reagindo ao tratamento. Em todo o caso, em princípio, quanto mais severos e/ou prolongados no tempo forem os sintomas mais complexo/duradouro poderá ser o tratamento, podendo ser necessário um tempo significativo de tratamento para que se produzam mudanças na forma de o paciente se relacionar consigo próprio e com os outros. Por outro lado, tratando-se de um sintoma reactivo em alguém sem antecedentes de problemas psicológicos o tratamento poderá durar apenas alguns meses.